Empresa: SHOES YOUR WAY  
〉〉 Sector: Comércio a retalho  
〉〉 Faturação: 6K€/Mês  
〉〉 Investimento Inicial: 55K€  
〉〉 Instagram: 6,5K; Facebook: 1.7K;  


Olá! Fala-nos um pouco sobre ti e sobre o teu negócio?

O meu nome é Pedro e sou co-fundador e gestor da Shoes Your Way, empresa que criei juntamente com o Daniel Gonçalves, em final de 2018, para desenvolver a Wayz, uma marca de sneakers, feitos de forma ética e transparente na região do Porto, e vendidos a um preço justo. 

As sapatilhas Wayz são feitas com materiais locais e amigos do ambiente por forma a minimizar a nossa pegada ecológica e maximizar o impacto local. A nossa cadeia de abastecimento está inteiramente localizada na região norte, entre Ovar, Porto e Felgueiras. A pele de curtimenta vegetal é fabricada pelos Curtumes Aveneda, em Ovar, a borracha reciclada que usamos nas solas e nalgumas partes da gáspea das Wayz é produzida pela Bolflex, em Felgueiras, as palmilhas biodegradáveis, de linho, lã, látex e madeira são produzidas pela Poleva, também em Felgueiras, assim com os cordões de algodão e poliéster reciclado. O têxtil de poliéster reciclado é também comprado em Felgueiras, na Mipe, mas a sua produção é feita em Espanha. A nossa caixa é feita em Avintes, pela Cartonagem Marui. Por fim, a parte mais importante, acontece em Lousada e em Ovar, na Rich Company e na Rudis, as fábricas com quem trabalhamos. Antes de tudo isto, o design intemporal, sem género nem sazonalidade e versátil, bem como a concepção do produto, é feito pelo Daniel e por mim no nosso showroom do centro do Porto, no Bonfim.

As Wayz são vendidas online desde final de 2019, em www.wayzforlife.com, no nosso showroom, em lojas físicas do Porto e de Lisboa, e em marketplaces digitais, portugueses e internacionais. Os nossos clientes têm entre 25 e 45 anos e são homens (45%) e mulheres (55%), maioritariamente Portugueses, Franceses, Alemães e Belgas, apesar de termos clientes de mais de 15 Países diferentes, na Europa e América do Norte. Adquirem as Wayz online (45%) e nas lojas físicas (55%) de Porto e Lisboa, quando nos visitam.

No segundo semestre de 2019, quando lançamos a marca, faturamos cerca de 30K€. Em 2020, sofremos, e muito, com a pandemia e o volume de negócios caiu para 26K€. Este ano está a ser muito positivo, sobretudo a partir de Maio, e  devemos terminar entre os 60K€ e os 70K€.

Qual é o teu background e como surgiu a ideia deste negócio?

Eu sou do Porto, licenciei-me em Gestão na Faculdade de Economia do Porto em 1999 e comecei o meu percurso profissional no mesmo ano, em Madrid, na Decathlon, como Responsável de Departamento. Foram 18 anos na Decathlon, em vários países, onde exerci vários cargos: direção de loja, direção regional e nos últimos 5 anos, de 2012 a 2018, Diretor de Serviços Internacionais, na sede da empresa, em Lille, França.

O design das Wayz estava definido no conceito inicial e foi fundamental para chegarmos ao que queríamos de forma consistente: um produto, eco-concebido, intemporal, sem género, nem sazonalidade e versátil.

Em 2018, quis regressar a Portugal, ao Porto, onde já não vivia desde 1999, com a minha família. Essa escolha provocou a minha saída da Decathlon e abriu imediatamente espaço para lançar a Wayz. Era o momento certo, tinha 42 anos, 18 anos de experiência numa multinacional de retalho e muita vontade de lançar "uma marca de sapatilhas 100% portuguesa". Foi isto que escrevi no primeiro rascunho que fiz do projeto. Nos 5 anos que vivi em França, tive oportunidade de viajar muito e apercebi-me que, nas melhores lojas da Europa, há tantos produtos fabricados em Portugal, mas muito poucas marcas portuguesas. Isto foi o "gatilho", o resto era a paixão pelo calçado, que nasceu comigo. Foi um misto de emoção, paixão e razão, uma vez que Portugal, e sobretudo a região Norte, é um dos melhores locais do mundo para fazer calçado de qualidade. Temos todos os materiais mas sobretudo o know-how. E a minha vontade era criar um produto local, eco-concebido, porque só assim faria sentido, em 2018, para nos podermos distinguir da fast-fashion e do calçado feito com materiais importados, do outro lado do mundo, e como tal, com um impacto ambiental fortíssimo. 

A ideia inicial foi esta, até chegar à Wayz, foram precisos alguns meses. Primeiro para escrever o conceito da marca: sentido/propósito, visão, valores e missão da marca. Quando tudo isto estava claro, veio o nome e os primeiros esboços. Paralelamente fui estudar design e produção de calçado, numa escola do Porto, onde conheci o Daniel. Rapidamente descobrimos que tínhamos um sonho comum, e começamos a criar os primeiros designs, que fomos desenvolvendo, até termos os primeiros protótipos, no final de 2018.

Como foi o processo de lançamento do negócio?

Como referi anteriormente, depois de escrito o conceito, trabalhamos no design dos modelos e na pesquisa dos materiais e fabricantes. O design das Wayz estava definido no conceito inicial e foi fundamental para chegarmos ao que queríamos de forma consistente: um produto, eco-concebido, intemporal, sem género, nem sazonalidade e versátil. Para simplificar a nossa produção e otimizar os nossos recursos, não queríamos fazer coleções de homem e mulher, nem de verão e inverno. Queríamos uma única coleção permanente. Estas escolhas condicionaram logo a nossa pesquisa de materiais e fabricantes. Aí chegaram também as primeiras dificuldades: a escassez de materiais amigos do ambiente, o preço desses materiais e a relutância dos fabricantes em utilizar este tipo de componentes. Foi preciso ser teimoso! E avançar com o que tínhamos à disposição naquele momento.

Ao longo de 2018 fizemos vários testes, com materiais e com o design, até chegarmos ao que queríamos, 4 modelos, 4 tipos de personalidade: The Hedonist (gozar a vida), The Wanderer (descobrir/correr riscos), The Misfit (pensar fora da caixa), The Sonder (empatia/diversidade).

Como o projeto foi e é financiado por capitais próprios, desde cedo tínhamos definido que íamos lançar a marca através de uma campanha de crowdfunding. Esta estratégia permitir-nos-ia financiar a primeira produção, porque íamos vender antes de produzir, testar o produto no mercado, conhecer os nossos clientes e, se tudo corresse bem, lançar a marca em mercados internacionais. Depois de muita pesquisa e benchmarking escolhemos a plataforma americana Indiegogo. Pelo caminho descobrimos que criar uma campanha de crowdfunding dava mais trabalho e era mais complexo e mais caro do que o que pensávamos, mas no dia 28 de Maio de 2019, lançamos a Wayz. Vendemos 180 pares num mês, a familiares, amigos e desconhecidos que, por alguma razão, acreditaram que 4 meses depois lhe iriamos entregar um par de Wayz. E assim foi. E foi bom!

A nossa ideia sempre foi abrir a loja online depois da campanha de crowdfunding. Isso aconteceu em Dezembro de 2019 e foi aí que começamos a vender os restantes 350 pares, dos 520 que tínhamos produzido. A campanha deu-nos alguma projeção nos media portugueses e tivemos vários convites para vender à consignação em lojas do Porto e de Lisboa: Feeting Room, Naz, Fair Bazaar. A nossa prioridade era vender online, mas o impacto que as Wayz tiveram nas lojas no mês de Dezembro e Janeiro foi muito forte. Percebemos que o produto tinha muito potencial. Depois, veio a pandemia...

Como foi os primeiros tempos em atividade? O que funcionou em termos de atrair os primeiros clientes?

Ainda em 2018, quando estávamos a trabalhar nos primeiros protótipos, criamos as nossas redes sociais, Instagram, Facebook e Linkedin, onde começamos a comunicar e a "recrutar" a nossa comunidade de seguidores e potenciais futuros compradores. Muitos deles vieram por aí, acompanharam o processo de criação da marca e quando lançamos o crowdfunding, compraram. Depois houve o "boca-à-boca", algumas aparições na TV (RTP e TVI), nos jornais (Público) e nalgumas revistas online (Luxiders, NIT). Também fizemos algum trabalho com influenciadores, mas o impacto foi muito reduzido, porque a estratégia não foi bem executada. Sem dúvida que as redes sociais, sobretudo o Instagram e o Linkedin, foram os principais canais para dar a conhecer a marca e os produtos. Também foi aí que fizémos o maior investimento, em conteúdos e anúncios pagos. Para vendermos os 180 pares, 18K€ da campanha de crowdfunding investimos cerca de 6K€ só em anúncios no Facebook e Instagram. O Linkedin foi sempre orgânico mas como temos uma rede grande e internacional, funcionou muito bem.

As parcerias com as lojas situadas no centro do Porto e Lisboa foram muito frutíferas, porque deram visibilidade à marca, sobretudo para clientes internacionais. A participação nalguns eventos, Greenfest, Moda Lisboa e Lançamento Smart Elétrico, antes da pandemia, também ajudou a angariar mais clientes e a trazer mais notoriedade à marca.

Como está a correr neste momento o negócio, e como prevês a evolução nos próximos 3 anos?

Neste momento estamos a atravessar o nosso melhor momento, pois notamos uma procura crescente dos nossos produtos, a ponto de termos vários tamanhos e modelos esgotados. Temos cada vez mais clientes internacionais, sobretudo europeus.

Embora inicialmente o modelo de desenvolvimento fosse D2C, direto ao consumidor, através da venda online, rapidamente percebemos que tínhamos que alterar esta estratégia. Vender calçado online é complicado, sobretudo para uma marca sem notoriedade. Os custos de aquisição do cliente são muito altos. Nós ainda não temos capacidade para investir em stock e em anúncios (google e facebook ads). Fazemo-lo, mas com um orçamento mensal muito baixo. Por outro lado, cedo percebemos que as Wayz têm muito potencial em loja e por isso decidimos que vamos desenvolver o mercado de retalho. Mais uma vez, a pandemia não ajudou, porque não houve feiras desde o início de 2020. Retomaram agora, em Setembro de 2021, e nós já estivémos na Momad, em Madrid. Brevemente estaremos na Modtíssimo, no Porto, e, se tudo correr bem, em Janeiro, iremos à Neonyt em Frankfurt.

Uma das nossas principais vitórias, até ao momento, foi termos conseguido lançar o projeto e fazer crescer a marca com recursos próprios, e com as nossas (minhas e do Daniel) competências.

Entretanto, temos tido alguns contatos de agentes e distribuidores de França, Bélgica e Alemanha, que querem vender as Wayz nos respectivos mercados, mas ainda não passamos das primeiras conversas. As nossas margens ainda são muito baixas para entrar no mercado de retalho e poder distribuir uma parte a cada intermediário, por forma a que seja vantajoso para nós, para o distribuidor e para a loja que os vai vender. A solução não é a que gostaríamos, mas passará certamente por aumentar um pouco os preços de venda e ganhar alguma escala na produção para poder baixar o custo de produção, sem fazer concessões à qualidade do produto.

As prioridades para os próximos anos são, sem dúvida, o mercado de retalho europeu e fortalecimento da nossa presença e pegada digital, investindo cada vez mais em bons conteúdos (fotos, vídeos, e textos) que exponham de forma mais marcante o storytelling da Wayz e nos ajudem a fazer crescer a notoriedade da marca. 

Em termos de produto, vamos continuar a desenvolver a nossa linha vegan, com 100% de materiais reciclados, que lançamos no último verão. É um tipo de cliente diferente mas que se enquadra perfeitamente nos valores da marca.

O que destacas como mais importante em termos de aprendizagem com o lançamento deste negócio que queiras partilhar connosco?

Uma das nossas principais vitórias, até ao momento, foi termos conseguido lançar o projeto e fazer crescer a marca com recursos próprios, e com as nossas (minhas e do Daniel) competências. Desde o design do produto, sourcing, produção, logística, vendas, à gestão das redes sociais, tudo é feito internamente. Apenas os anúncios de Google, FB e IG são trabalhados pela Natália, que colabora connosco em regime freelance. Acho fundamental termos essa versatilidade na equipa de fundadores, fazer e aprender o que for preciso para concentrar os recursos no que é essencial. 

Por outro lado, a multi-competência tem limites. Devíamos ter na equipa de fundadores uma pessoa com competência de marketing (ads, conteúdos, seo, press, etc). Ter-nos-ia ajudado a crescer mais rapidamente, sobretudo durante a pandemia. Ainda procuramos esse elemento para a equipa ao fim de 2 anos. Mas não é fácil encontrar bons profissionais disponíveis nessa área.

A nível de aprendizagens, penso que um dos nossos maiores erros, foi termos lançado 4 modelos na campanha de crowdfunding. Se tivéssemos lançado um modelo, teria sido mais fácil, comunicar, ter um impacto maior (menos diluído face ao nosso baixo orçamento). E teríamos gasto menos dinheiro em conteúdos, fotos e filmes. Em contrapartida, ao termos lançado 4 modelos (16 cores diferentes), demos uma imagem de marca mais forte, mais profissional e abriu-nos algumas portas (ex:lojas) mais rapidamente. Também nos ajudou a compreender o que querem os nossos clientes (modelos, cores, etc) e a adaptar o design e modelos nas produções seguintes. Ainda assim, acredito que menos é mais, e que devemos fazer escolhas que simplifiquem o nosso trabalho inicial e ir juntando gradualmente novos produtos à oferta, à medida que vamos crescendo.

Conselhos para os nossos leitores e futuros empreendedores que pretendem lançar o seu negócio?

O principal conselho/ aprendizagem que eu gostaria de partilhar é que é relativamente fácil criar um produto mas saber vendê-lo é muito mais exigente e complexo. Às vezes focamo-nos muito no produto, mas o importante são as vendas, conhecer os clientes, saber atraí-los, vender e fidelizar. Claro que se o produto não for bom, a longo prazo, não vai funcionar. Mas já vi muita coisa…

De resto, acho que temos que acreditar muito naquilo que estamos a fazer, mas não esperar que tudo aconteça facilmente e rapidamente. É preciso tempo, paciência e muita resiliência. Um passo de cada vez, mas firme, conduzir-nos-à ao nosso destino. Walk Your Way 😉

Que plataforma web e ferramentas de marketing digital são usadas para o teu negócio?

  • Shopify
  • shopify mail e mailchimp
  • Google ads e Facebook/Instagram Ads
  • App store do Shopify: tradutor, reviews, remarketing, ...

Onde podemos saber mais sobre a tua empresa?

Wayz - Wave At Your Zest for life

Sneakers With a Humanistic Footprint

Walk Your Way.

https://wayzforlife.com/

Instagram e Facebook: @wayzforlife

Linkedin: https://www.linkedin.com/company/wayzforlife

Propósito: Inspirar pessoas a encontrar o seu caminho para uma vida mais consciente, com propósito e entusiasmo.

Visão: Trazer humanidade para o mundo dos negócios, empoderando as pessoas e protegendo o planeta.

Valores da marca: Responsabilidade (ambiental, social, individual), Autenticidade (transparência), Humanidade (empatia e diversidade)

Missão: Criar produtos éticos e locais, feitos para durar, com design intemporal, eco-concebidos, e vendê-los a um preço justo.

Recrutamento:

Procuramos um(a) Partner para desenvolver a missão/função de Content Manager > contactar [email protected].

Fundadores da Shoes Your Way

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