Empresa: RURALMOVE  
〉〉 Sector: ONG  
〉〉 Nrº. de voluntários: 60  
〉〉 Utilizadores: +6000  
〉〉 Facebook: 1600; Instagram: 800           


Olá! Fala-nos um pouco sobre ti e sobre o teu projecto?

O meu nome é Fernando Belezas e sou fundador e presidente da Rural Move. A Rural Move é uma ONG, fundada em 2020, que promove a regeneração de territórios rurais em Portugal, em particular de territórios de baixa densidade. Nesse sentido, através do desenvolvimento de novas tecnologias e de inovadoras estratégias colaborativas, promovemos atividades e ações que visam atrair e fixar população nesses frágeis territórios.

Entre as nossas iniciativas mais bem-sucedidas, destacam-se: 

1. a Plataforma Rural Move, uma plataforma “one stop shop” para promoção do repovoamento das zonas rurais e que disponibiliza informações e novidades sobre as mais fantásticas localidades rurais, e permite conhecer em segundos, a qualquer hora, os alojamentos, os espaços de coworking, as oportunidades de emprego, essenciais para quem se quer mudar ou viver mais próximo da natureza;

2. os Embaixadores Rural Move, que são redes de suporte informal, alicerçadas em laços de afeto, proximidade e pertença, que têm como missão minorar eventuais dificuldades de uma mudança para zonas rurais;

3. o Selo Remote Work Ready Town, uma insígnia que reconhece e distingue os municípios rurais de Portugal que apresentam e disponibilizam condições de excelência para os trabalhadores remotos que aí pretendam residir e desenvolver a sua atividade (esses municípios oferecem ainda 12 meses de acesso gratuito a espaços de cowork).

 Na presente data colaboram com a Rural Move 6 municípios-piloto e aproximadamente 60 voluntários, distribuídos por todo o território nacional, que têm suportado e alavancado o crescimento contínuo destas iniciativas.

Qual é o teu background e como surgiu a ideia desta ONG?

A nível profissional exerço funções de docente e formador nas áreas do direito e da gestão e de consultor em gestão empresarial. Contudo, ao longo de toda a minha vida profissional, sempre estive ligado a diversas associações culturais e cívicas, por sentir uma necessidade constante de contribuir e dar mais de mim às comunidades nas quais tenho vindo a estar inserido. 

Essa vontade de contribuir revelou-se também durante os períodos de confinamento provocados pela pandemia da Covid-19. Nessa altura, encarcerado como tantos de nós num apartamento numa grande cidade, decidi que tinha chegado a altura certa para ajudar a inverter a tendência crescente de despovoamento das zonas rurais, ajudando pessoas e trabalhadores remotos que se quisessem mudar para as zonas rurais em busca de mais felicidade e bem-estar. 

A próxima etapa da Rural Move passará por oferecer mais conteúdo, mais histórias de mudança para zonas rurais, de modo a aumentar as conversões e o número de rural movers.

Para isso lancei apelos públicos através de redes sociais a procurar pessoas que se quisessem juntar a mim nesta saudável loucura de fomentar a regeneração dos territórios rurais, em particular dos mais despovoados. Curioso: havia mais loucos como eu! E assim nascia a Rural Move. 

No início eramos menos de 10 voluntários a trabalhar remotamente a partir das suas casas. Isso fez de nós provavelmente uma das primeiras ONGs em todo o mundo a nascer remotamente por causa da pandemia.    

Como foi o processo de lançamento?

Inicialmente, em poucas semanas, lançamos o MVP da Plataforma Rural Move. Esse MVP não era nada mais do que uma landing page, desenvolvida em WordPress para recolher leads ou contactos de pessoas que manifestavam vontade de se mudarem para localidades rurais. 

Essa landing page serviu para identificarmos, em poucos meses, quase duas centenas de pessoas que se pretendiam mudar para localidades rurais. Contudo, verificamos que não tínhamos equipa nem capacidade para ajudar todas essas pessoas e, em virtude disso, rapidamente criamos a rede de embaixadores locais cujo trabalho é precisamente apoiar pessoas que se querem mudar. 

Hoje, muito do nosso trabalho passa por capacitar esses embaixadores de modo que eles possam dar o melhor apoio possível aos rural movers (pessoas que se querem mudar para zonas rurais).

Como foi os primeiros tempos em atividade? O que funcionou em termos de atrair os primeiros clientes?

Nos primeiros tempos da Rural Move, usamos as nossas redes pessoais e profissionais para dar resposta a desafios que iam emergindo, sobretudo ao nível do contacto com municípios e outros parceiros locais.

 Ao nível da promoção da Plataforma Rural Move, aproveitamos também as nossas contas e contactos nas redes sociais para passar a palavra e tentar converter esse público em visitantes e em leads. Até hoje, visitaram a Plataforma Rural Move aproximadamente 6.000 utilizadores.

Sem dúvida, o televoluntariado é um fenómeno e uma tendência que veio para ficar, mas que exige novas e diferenciadas estratégias para gerir os voluntários, os projetos e a própria organização.

 A próxima etapa da Rural Move passará por oferecer mais conteúdo, mais histórias de mudança para zonas rurais, de modo a aumentar as conversões e o número de rural movers.

Como está a correr neste momento, e como prevês a evolução nos próximos 3 anos?

Esta iniciativa atingiu todos os objetivos a que inicialmente se tinha predisposto. Entre os objetivos alcançados destaca-se a constituição de uma estrutura sólida que poderá agora suportar a fase seguinte do nosso crescimento.

Nessa nova fase pretendemos monetizar, a médio prazo, a Plataforma Rural Move de modo a constituir uma equipa profissionalizada que possa levar a cabo com mais dignidade a missão a que nos propusemos desde início: regenerar territórios rurais.

Não sabemos se vamos conseguir atingir esses objetivos, mas é nesse sentido que estamos a orientar o nosso trabalho.

O que destacas como mais importante em termos de aprendizagem com o lançamento desta ONG que queiras partilhar connosco?

A criação da Rural Move enfrentou sérios desafios em virtude da pandemia. Mas entre esses desafios, destaco as dificuldades em liderar uma equipa de voluntários remotamente.

tudo o que façam, façam-no com um propósito maior que represente não só uma vantagem para vocês, mas que responda claramente a desafios ou problemas sentidos pelas comunidades que vos rodeiam.

 Foi e é, todos os dias, um enorme desafio. É um desafio manter a equipa focada, a trabalhar, a partilhar de uma mesma visão e missão. Sem dúvida, o televoluntariado é um fenómeno e uma tendência que veio para ficar, mas que exige novas e diferenciadas estratégias para gerir os voluntários, os projetos e a própria organização.

Conselhos para os nossos leitores e futuros empreendedores que pretendem lançar uma ONG ou um negócio?

Não há conselhos milagrosos para o sucesso. No entanto se amarem o que fazem estarão mais perto do sucesso.

 Além disso, seja num negócio ou em qualquer outra atividade, tudo o que façam, façam-no com um propósito maior que represente não só uma vantagem para vocês, mas que responda claramente a desafios ou problemas sentidos pelas comunidades que vos rodeiam.

Que plataforma web e ferramentas de marketing digital são usadas?

  • Workplace by Facebook - gestão da comunidade
  • Trello - para gestão dos projetos e iniciativas desenvolvidas
  • Cada equipa (marketing, programas educativos, programas de desenvolvimento territorial, parcerias, financiamento, etc.) tem a capacidade e autonomia para definir as ferramentas que melhor se adaptam às suas necessidades.

Recomendas algum(s) livro(s) ou outra fonte de inspiração que mais te tenha influenciado?

Durante este ano lancei a mim mesmo o desafio de ler, pelo menos, um livro por mês (para quem trabalha, participa em organizações da sociedade civil e está a tirar um doutoramento, acreditem que é um enorme desafio!). E não é que esse desafio tem vindo a ser superado!
Eu sou um apaixonado por biografias (desculpem se é aborrecido, mas eu gosto). Contudo, nestes últimos tempos, tenho tentado variar as minhas leituras. Durante as férias li dois livros. Cada um deles excecional à sua maneira:

· “O Conde D’Abranhos” de Eça de Queirós, uma ainda hoje atual sátira à classe política nacional satiriza um “estado político pletórico e apoplético, em que é o centro que tem todo o sangue, todo o vigor, e as extremidades, onde não chega a circulação necessária para que elas se conservem num calor benéfico e saudável, arrefecem, e, em breve, definham, ficando como organismos mortos, apenas ligados, para assim me exprimir, por tendões artificiais, que o mais pequeno choque despedaça (…)”.
· “Pelo Socialismo” de Thomas Piketty, reúne um conjunto de crónicas publicadas pelo autor que apontam para a necessidade de abandono do hipercapitalismo e de estados cada vez mais focados nas suas responsabilidades sociais, fomentando assim um socialismo cada vez mais “participativo e descentralizado, federal e democrático, ecológico, miscigenado e feminista”.

Onde podemos saber mais sobre a RuralMove?

Se quiserem saber mais sobre a Rural Move, visitem-nos em ruralmove.org. Caso queiram conversar comigo, podem contactar-me através do email [email protected].

 Acompanhem-nos também em:

·       https://www.facebook.com/ruralmove2020

·       https://www.instagram.com/ruralmove 

 https://www.linkedin.com/company/rural-move/

Fundador RuralMove

Olá, sou o José, o fundador do PerfilEmpreendedor. Aqui entrevistamos empresários e líderes de sucesso e partilhamos as suas histórias.

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    1. Quero ser voluntária. Moro no concelho de Bragança. Sou Vice Presidente de uma associação juvenil de preservação do património cultural e ambiental.

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