Empresa: LEGAÜ  
〉〉 Sector: Legaltech  
〉〉 Negócio: programa pago para sociedades de advogados   
〉〉 linkedin: 276;           


Olá! Fala-nos um pouco sobre ti e sobre o teu negócio?

O meu nome é Luís Alves Dias e sou um dos fundadores do Legaü, juntamente com o Diogo Barros Pereira e o Luís Filipe Lopes.

O Legaü é um add-on que permite aos advogados elaborar documentos jurídicos, aceder ao conhecimento interno, partilhar experiência com a equipa e efetuar pesquisa jurídica (doutrina e jurisprudência), tudo sem terem de sair do Word.

Somos uma Legaltech B2B e, portanto, o nosso target são sobretudo sociedades de advogados.

Neste momento, estamos a trabalhar com algumas sociedades de advogados reconhecidas em Portugal através do programa de Early Adopters que criámos. Esta forma de colaboração tem-nos permitido obter feedback importante e melhorar o produto em constante diálogo com os clientes.

Qual é o teu background e como surgiu a ideia deste negócio?

Eu e o Diogo somos licenciados em Direito e advogados há quase uma década, tendo passado quase a integralidade desse tempo em grandes sociedades de advogados internacionais. O Luís Lopes é engenheiro informático e tem cerca de 15 anos de experiência em empresas tecnológicas nacionais e internacionais (startups e grandes empresas).

Somos amigos há muitos anos e fomos sempre explorando pequenos projetos em comum. O Legaü surge na sequência das nossas frustrações pessoais como advogados e depois de uma temporada que o Diogo passou em Singapura, que tem um ecossistema de Legaltech muito avançado. Quando o visitei em Singapura, falámos sobre fazer algo que se enquadrasse na transformação digital do setor legal, que víamos (e vemos) como inevitável.

Conhecemos bem o mercado e as ferramentas que são utilizadas pelos advogados e, tendo em conta os sítios onde trabalhámos e as pessoas que conhecemos, tivemos o privilégio de experimentar ou de conhecer a experiência associada a muitas dessas ferramentas.

Apesar disso, continuávamos a olhar para o nosso quotidiano e a pensar que seria possível fazer uma ferramenta que simplificasse a nossa vida. Queríamos algo que aliasse três coisas: 

(a) fosse focada na realidade dos advogados, pois tipicamente temos muito pouco tempo e andamos sempre muito pressionados – ou seja, teria de ser uma ferramenta integrada na rotina do advogado, muito intuitiva, fácil de usar e sem grandes curvas de aprendizagem; 

(b) contribuísse realmente para criar uma geração de advogados mais feliz, uma vez que, segundo os dados disponíveis, os advogados têm efetivamente 3,6 vezes mais probabilidade de sofrer de depressão e ansiedade crónica – ou seja, teria de ser uma ferramenta que permitisse aos advogados realizar as suas tarefas e gerir o seu volume de trabalho de forma muito mais eficiente, libertando-os para tarefas de que gostam mais ou para investir nas suas paixões e compromissos fora do escritório. Acreditamos que, com isto, conseguimos ter melhores advogados e, consequentemente, clientes mais satisfeitos;

(c) endereçasse as ineficiências no cerne da advocacia – ou seja, teria de ser uma ferramenta focada na elaboração de documentos jurídicos e pesquisa jurídica, pois é a volta destas tarefas que gravita a maior parte do valor acrescentado específico do advogado.

Como foi o processo de lançamento do negócio?

Durante o processo de ideação a que me refiro na resposta à pergunta anterior surgiram-nos várias ideias, mas decidimos começar pelo Legaü. Fomos desenvolvendo um protótipo e falando com alguns amigos advogados para perceber quais as suas maiores frustrações na elaboração de documentos jurídicos e na pesquisa jurídica.

Nesta fase, achamos que o mais importante foi manter as conversas com esses amigos abertas, ou seja, não lhes perguntámos se achavam a ideia boa, procurámos sim perceber como é que era um dia normal no escritório para eles e qual a experiência deles quando tinham de fazer documentos jurídicos ou pesquisa jurídica.

Dessas conversas conseguimos extrair várias conclusões importantes. Esse feedback inicial em conjunto com a nossa experiência pessoal como advogados foi modelando o protótipo. 

Para uma startup como nós, que está a dar os primeiros passos, nada é mais importante do que o foco. Por isso, decidimos não ir a todas e estamos sobretudo focados em outbound sales junto de sociedades de média dimensão. Esta é uma lógica puramente B2B.

No início, como fomos trabalhando no Legaü como um side gig (ou seja, noites e fins-de-semana), demorámos alguns meses a ter um protótipo. Assim que o tivemos, montámos o website e a waiting list, criámos um quiz engraçado que surgia no website (usámos o Outgrow para isso) e fizemos três posts no LinkedIn (um por founder) acerca do que estávamos a construir.

O feedback que recebemos foi excelente e, apenas com esses posts conseguimos cerca de 40 pessoas na nossa waiting list. Isso motivou-nos muito para continuar a trabalhar ainda com mais afinco e a ter os primeiros contactos com potenciais clientes.

Entretanto, fomos sempre melhorando o produto e recebendo feedback de alguns mentores. Passados 2/3 meses dos nossos primeiros posts no LinkedIn sobre o projeto tínhamos o nosso MVP. Durante esse período, decidimos criar um programa pago de Early Adopters e começámos a contactar formalmente algumas sociedades de advogados (algumas estavam na nossa waiting list, outras foi puro cold calling).

O feedback que recebemos em todas as calls que conseguimos foi muito animador e temos o privilégio de estar a trabalhar com algumas dessas sociedades neste momento. Outras não conseguiram avançar no momento em que falámos, mas continuam interessadas em colaborar connosco.

Como foi os primeiros tempos em atividade? O que funcionou em termos de atrair os primeiros clientes?

O mercado de advocacia em Portugal e na Europa Continental tem alguma heterogeneidade. Há muitos advogados (a maioria) a trabalhar em prática individual e em pequenas sociedades de advogados; mas há também os advogados que trabalham em sociedades de média e grande dimensão, e ainda aqueles que trabalham em sociedades internacionais. Entre categorias e dentro de cada categoria há muitas realidades e, portanto, as necessidades, formas de trabalhar, prioridades, orçamento e maturidade tecnológica variam muito.

Isto significa, por exemplo, que os canais, o tipo de abordagem, o tipo de conteúdos, a mensagem nesses conteúdos, etc. pode (e deve) ser adaptada a cada audiência.

Para uma startup como nós, que está a dar os primeiros passos, nada é mais importante do que o foco. Por isso, decidimos não ir a todas e estamos sobretudo focados em outbound sales junto de sociedades de média dimensão. Esta é uma lógica puramente B2B.

Temos produzido alguns conteúdos nas redes sociais (LinkedIn e Twitter), que nos têm permitido criar alguma autoridade na área e conhecer algumas pessoas. Isso tem sido positivo e queremos continuar a produzir conteúdos que introduzam o conceito de Legaltech e as suas nuances no quotidiano dos advogados e das sociedades de advogados, mas também conteúdos que os ajudem a tirar o maior proveito da transformação digital do setor. Para isso, queremos, por exemplo, atualizar o nosso website e torná-lo o centro da nossa estratégia de marketing.

É preciso um contributo diário e o caminho vai ser duro e sinuoso, por isso o melhor que podemos fazer é divertir-nos e aprender pelo meio. Diria mesmo que mais importante do que o resultado final, é a jornada e o que retiramos dela.

No entanto, essa é uma estratégia mais de longo prazo, que, em nosso entender, pressupõe uma lógica mais product-led e direcionada para advogados em prática individual e pequenas sociedades (ou seja, mais aproximado a B2C), e ainda não estamos aí. Por isso, a nossa prioridade para já é continuar a apostar sobretudo em outbound sales.

A este nível, temos apostado sobretudo em cold calling/emailing, mas nos próximos meses também queremos testar eventos, em que estabelecemos relações mais orgânicas com os advogados, e anúncios em redes sociais como o LinkedIn.

Como está a correr neste momento o negócio, e como prevês a evolução nos próximos 3 anos?

Estamos ainda a dar os primeiros passos enquanto negócio, mas estamos muito contentes com a forma como está a correr o negócio. O feedback que temos recebido de todos os advogados e sociedades de advogados com quem temos falado tem sido fantástico.

Os nossos primeiros clientes estão satisfeitos e, ainda assim, consideramos que temos muita margem para melhorar o produto e facilitar cada vez mais a vida dos advogados. Tendo em conta a versão atual do produto (alpha), o nosso KPI nesta fase é poupar entre 20% e 30% nas tarefas relacionadas com a elaboração de documentos jurídicos e pesquisa jurídica e estamos a cumprir isso mesmo. Isto é muito bom.

Nesta fase, estamos a trabalhar em parcerias e integrações com outras ferramentas para que, no fundo, os advogados consigam ter acesso a todo o conhecimento (interno e externo) sem ter de sair da janela de Word que estão a usar para elaborar um determinado documento jurídico. 

O que destacas como mais importante em termos de aprendizagem com o lançamento deste negócio que queiras partilhar connosco?

Criar uma startup do zero tem sido uma enorme aprendizagem a todos os níveis. No entanto, gostava de destacar três pontos:

(1) É essencial ter conversas francas, profundas e diretas acerca das expectativas, disponibilidade e objetivos dos fundadores.

No nosso caso, somos amigos há muito tempo e sempre fomos fazendo coisas juntos numa base informal e à medida da disponibilidade de cada um. Quando decidimos levar o Legaü para outro patamar, foi como que um passo natural e não conversámos acerca das expectativas, disponibilidade e objetivos de cada um.

Isso fez com que tomássemos algumas decisões que, mais tarde, percebemos que talvez não estivessem alinhadas com as expectativas, disponibilidade e objetivos de todos. Felizmente não tiveram impacto na equipa nem no negócio e, na verdade, serviram como catalisador para falarmos desses temas.

(2) O foco faz toda a diferença.

Quando decidi abandonar a carreira de advogado, comecei a trabalhar em vários projetos próprios e a ajudar projetos de outras pessoas. Quando decidimos levar o Legaü para outro patamar, comprometi-me a dedicar-me praticamente apenas ao Legaü e a evolução do projeto foi tremenda. A partir do momento em que os nossos esforços estavam focados numa única coisa, o projeto disparou. Em 2 ou 3 meses conseguimos o que não tínhamos conseguido em 8 ou 9.

O foco faz também toda a diferença em termos de produto, de modelo de negócio, de go-to-market, etc. Focamo-nos em resolver um problema muito específico, a cobrar aos nossos clientes de uma forma muito clara e específica, abordamos um target muito específico de clientes, etc. Tudo isto é importante. Como startup tens recursos limitados e, portanto, não tens capacidade para disparar para todo o lado; se o fazes é mais difícil que alguém te ouça/perceba e o mais provável é que rapidamente fiques sem recursos.

(3) Mais vale feito do que perfeito.

Em diversos momentos ao longo do nosso percurso, tivemos dúvidas acerca de termos um produto preparado para mostrar ou divulgar, mas sempre que, apesar disso, decidimos fazê-lo, o feedback foi fantástico. Na verdade, foi o feedback que fomos recebendo nesses vários momentos que, por um lado, nos motivou a continuar e a querer levar o Legaü para outro patamar; e que, por outro lado, nos permitiu ir melhorando o produto.

É importante manter as coisas simples, dar espaço à experimentação e aos erros (e aprender com eles) e estar confortável em ir iterando. Se possível, arranja formas de validar a tua ideia, mesmo antes de teres desenvolvido o quer que seja e de dedicares integralmente os teus recursos (tempo, dinheiro, pessoas, etc.) a ela.

Conselhos para os nossos leitores e futuros empreendedores que pretendem lançar o seu negócio?

(1) Aprecia a jornada.

Aqui temos duas dimensões em termos de mindset: foco no longo prazo (“life is a marathon” – Nipsey Hussle) e foco na aprendizagem (“I never lose. I either win or I learn” – Nelson Mandela).

Nada que realmente valha a pena se constrói de um dia para o outro e tipicamente as coisas demoram mais tempo do que esperamos. É preciso um contributo diário e o caminho vai ser duro e sinuoso, por isso o melhor que podemos fazer é divertir-nos e aprender pelo meio. Diria mesmo que mais importante do que o resultado final, é a jornada e o que retiramos dela.

(2) Cuida do teu corpo e mente. 

Conviver com a incerteza, o risco (financeiro, humano, de negócio, etc.), e o desconhecido numa base diária nem sempre é fácil, e, segundo os dados disponíveis, faz com que os founders sejam bastante propícios a ter problemas de saúde mental. Esta é uma questão extremamente importante, mas que se vê muito poucas vezes abordada. No meu caso, nem sempre consigo manter os hábitos mais saudáveis, mas procuro fazê-lo e correr também me ajuda bastante.

(3) Rodeia-te de bons mentores.

Temos tido o privilégio de falar com alguns mentores muito experientes e isso tem sido muito relevante. Têm-nos ajudado a pensar nas prioridades e nas várias nuances do negócio, da nossa estratégia e do produto, bem como a executar ideias com base em dados da sua experiência (ainda que cada negócio tenha as suas particularidades, há muitas coisas transponíveis).

Que plataforma web e ferramentas de marketing digital são usadas para o teu negócio?

  • Buffer: para gestão de posts nas redes sociais
  • Mailerlite: para gestão de campanhas de email e de contactos, bem como para gerar lead magnets
  • Canva Pro: para criação de conteúdos de marketing
  • Hotjar e Google Analytics: para dados relativos à interação dos clientes e potenciais clientes com o nosso website
  • Outgrow: para gerar lead magnets mais elaborados
  • ClickUp: para gestão de projetos e da equipa

Onde podemos saber mais sobre a tua empresa?

Website: www.legau.pt 

Mailing list (para ter acesso a novidades): https://bit.ly/3GLDwfS  

LinkedIn: https://www.linkedin.com/company/legaü  

Twitter: https://twitter.com/Legau_official  

Recrutamento: Neste momento, estamos à procura de um full stack developer com experiência relevante (5/6 anos) em PHP, Javascript e SQL. Mas fiquem atentos porque vamos ter novidades nos próximos tempos e queremos alargar a equipa. Podem ver os job posts ativos no nosso LinkedIn (https://www.linkedin.com/company/legaü/jobs/) ou no Angelist (https://angel.co/company/legau/jobs).

Fundadores Legaü

Olá, sou o José, o fundador do PerfilEmpreendedor. Aqui entrevistamos empresários e líderes de sucesso e partilhamos as suas histórias.

Queremos ajudar a comunidade de empreendedores e futuros empreendedores a começar o seu negócio.

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